19 de novembro de 2010

Diversidade sim, diferentes não. Tornar uma sociedade homogênea culturalmente significa união?


Por: Dayane Csi


Nos últimos anos alguns temas têm ganhado notoriedade em meio a debates, pesquisas e propagandas comercias ou governamentais, seu foco está diretamente ligado as questões sobre as diferentes culturas existentes numa determinada sociedade que de acordo com Hall (2003) esse fenômeno é denominado de multicultural. Já o que essas diversas culturas provocam dentro de uma sociedade, sejam as diferenças, preconceitos, as situações favoráveis ou não e como o Governo/Estado lida com essas situações através de medidas e leis denominamos de multiculturalidade.

Você com certeza, já se perguntou ou buscou informações sobre que etnia pertence. Temos na América uma miscigenação étnica muito grande, descendentes de indígenas, italianos, espanhóis, africanos, porém somos brasileiros, chilenos, argentinos, peruano, mexicano, asiáticos e demais nacionalidades. Isso tem um porque, literalmente não pertencemos a uma cultura ou etnia pura, se isto é possível.

Partindo para o tema proposto dessa narrativa mediante aos conhecimentos sobre nossa história em particular e da própria história da colonização da América espanhola, seu processo de emancipação até a atualidade, quero levantar a seguinte questão: Seria possível hoje estabelecer dentro destes Estados uma cultura única, ou seja, homogênea para que ocorra a unificação desta sociedade?

De acordo com Dr. Renato Seixas, professor de Relações Internacionais, Comunicação e Cultura do PROLAM/USP, o multiculturalismo não é algo novo, desde nossos ancestrais isso vem ocorrendo, pois várias civilizações agregaram culturas de outros grupos para que houvesse uma estabilidade local.

Mediante a colonização da América ocorreu em Estados à tentativa de impor a cultura dominante sobre os dominados. No caso da América Espanhola, os europeus (espanhóis) introduziram vários elementos de sua cultura anulando ou tentando eliminar a cultura existente dos povos indígenas, isso ocorreu através das destruições de templos, de objetos, desenhos, ídolos da cultura indígena, como aculturação forçada à fé cristã. Todas essas medidas não foi suficiente para eliminar a cultura destes povos dominados, através de outras fontes como a arqueologia, relatos, e a manifestação cultural destes, é possível conhecer e desfrutar da riqueza cultural desta nação.

Mas falar da América espanhola não é falar de um todo, pois existe nela uma diversidade não apenas cultural, mas no seu processo de emancipação, de agregação dos povos existentes nelas e de rejeição dos mesmos. O autor Boaventura de Souza Santos, doutor em sociologia do direito pela faculdade de Yale e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, aborda a descolonização da América latina e os direitos indígenas, relatando o choque cultural e a tentativa de homogeneidade desta. Em seu levantamos temos informações que enriquecem essa narrativa, entre os vários países que o autor expõe pretendo citar apenas alguns deles para que esse trabalho não fique tão extenso.

Boaventura trata dos preconceitos existentes na Bolívia e descreve a dificuldade e demora para que um índio chegasse ao poder, cerca de 500 anos, todo preconceito levantado na colônia que um índio não é competente e não tem alma está imbricado nos dias atuais e nas mentes daqueles que não aceitam Evo Morales como presidente. Isso também ocorre na Venezuela em relação a Hugo Chaves por não pertencer a uma elite branca e no Brasil ao desclassificar um presidente por não ter pouca educação formal e principalmente por ter vindo de uma origem humilde.

Isso nos leva a um dos pontos principais deste trabalho. Até que ponto os preconceitos baseados nas ideologias de um determinado grupo existentes no período de colonização pode ser repassado e nos dias atuais criar uma classificação cultural? Acreditar que tornar um país homogêneo culturalmente o unirá não foi o aconteceu na colonização com tentativa de anular a cultura indígena?

Essas misturas culturais enriquecem uma nação, pois integra dentro de um determinado espaço o direito a diferença e principalmente o respeito em relação ao outro. A multiculturalidade não é algo fácil de entender e lidar porem é essencial para que exista uma nação democrática. Já a homogeneidade é algo praticamente impossível de acontecer, pois a identidade de um cidadão está voltada a várias questões entre elas religiosas, costumes e identidades locais. Impor a determinado Estado ou grupos étnicos um comportamento ou anulação de sua cultura é enfraquecer sua ligação. Não somos nós africanos, português espanhóis, indígenas e brasileiros? Não estamos nós ligados a uma idéia de nação globalizante formado por diversos grupos étnicos?

Assim devemos ao fazer uma analise sobre o assunto, que não são os fatores descritos no decorrer do texto que nos uniriam a consciência e valorização cultural que esta nos enriquece. E é nesse momento que as ações do Estado devem se voltar a regulamentar leis que estabeleçam tais direitos, que trate de maneira adequadas os conflitos existentes numa sociedade multicultural, pois a homogeneização de acordo com Seixas (2010) nunca ocorreu na história e possivelmente não acontecerá por conta das fortes migrações e emigrações.

Bibliografia:

HALL, Stuart. Da diáspora – identidades e mediações culturais. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2003.

SANTOS, B. S. A descolonização da América Latina e os direitos indígenas. disponivel em: HTTP://alainet.org/ Debate Aberto 15/08/2008

Seixas, Renato: Globalização Cultural e Multiculturalismo na América Latina: análise a partir de experiências das civilizações pré-colombianas. Dsiponivel em: http://www2.uel.br/revistas/direitoprivado/edicao.asp?id=35 Revista do direito Privado da Uel, Volume III - Número 1, janeiro/abril 2010.



Um comentário:

  1. É MUITO BOM SER SEGUIDOR DESTE BLOG. DENTRE MUITOS SÃO POUCOS QUE ENRIQUECEM NOSSO INTELECTO COM TEMAS E QUESTÕES RELEVANTES PARA NOSSA SOCIEDADE.

    EM RELAÇÃO A POSTAGEM ACREDITO QUE EM POUCOS MOMENTOS HISTÓRICOS OUVE A REAL INTENÇÃO DE IMPOR A HOMOGENEIZAÇÃO CULTURAL. DEVE-SE ESTABELECER DIÁLOGOS ENTRE CULTURAS. A FALTA DE DIÁLOGO GEROU E GERA ERROS QUE NÃO SÃO REPARÁVEIS. AS VEZES A IMPOSIÇÃO É A ÚNICA SAÍDA NITIDA. E ISSO FICA CLARO QUANDO ME LEMBRO ARRESPEITO DOS ÍNDIGENAS DO BRASIL.

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